Por Amauri Nolasco Sanches
Júnior
O bolsonarismo inaugurou um bordão que muitas pessoas não entenderam:
“Bolsonaro é o mito”. Ou inaugurou a questão da “mitada” e que era quando o então
candidato, Jair Bolsonaro (PL), dizia o que uma grande maioria das pessoas
queriam dizer, mas não estava na altura ou teriam medo de serem presos. Mas, o
governo Bolsonaro se viu um desastre por conta das diversas escolhas de um
presidente sem uma inteligência emocional o bastante e que tinha um esboço teórico
um sujeito que se colocou como filosofo e acreditava em crenças e teorias das
conspirações do tempo da guerra fria. Olavo de Carvalho, assim como a maioria do
seu público, acreditavam em coisas pouco racionais sem nenhum embasamento teórico
científico, racional filosófico e um discurso coerente.
Voltando a “banalização do mito” voltamos em uma questão filosófica
importante dentro de uma análise profunda: a desbanalização do banal. A filosofia
ao tirar o lado banal de uma análise do senso comum – muitas vezes, acomodada e
envolto de crenças infundadas – e coloca em um lado muito mais racional e tende
a analisar de forma pontual. O termo mito tem origem grega – como a filosofia –
que se escrevia “mythos”, que tinha um significado como “narrativa” ou “história”.
Ou seja, eram narrativas que desempenhavam uma forma de educar as próximas gerações,
como era ser um grego e como a cultura grega era poderosa como ponto civilizatório.
E há um erro por parte dos iluministas que jogaram o mito como uma mera crença.
Platão usou o mito da caverna (a história da caverna) para
explicar sua ideia (idea ou forma) de como há ideias inteligíveis (no mundo das
ideias) e ideias sensíveis (no mundo). Então, um mito não seria uma “mentira” e
sim, uma narrativa heroica de alguém que pode ser um tipo de herói e como
dissemos, o mito pode ser uma historia com cunho moral. A questão é: qual moral
que um Bolsonaro pode passar para as novas gerações? Três casamentos de
mulheres diferentes e cada vez mais novas? Filhos mimados que atrapalharam mais
ainda uma administração governamental? Trazer o olavismo como ponto teórico de várias
teorias conspiracionistas?
Uma análise filosófica não pode ficar no raso, por isso há um
mito antigo e o mito moderno. Se antigamente o mito eram narrativas para
perpetuar uma cultura (ETHOS), na modernidade a ideia do mito continua a desempenhar
um papel significativo, embora de maneiras diferentes em comparação com as
sociedades antigas. Hoje em dia, os mitos muitas vezes refletem os medos e as
incertezas da sociedade contemporânea, especialmente em relação a tecnologia e
a informação. Por exemplo, histórias de hackers misteriosos – como a ideia dos
anonimous – inteligências artificiais fora de controle (com o mito da Skynet da
franquia Exterminador do Futuro) e várias teorias da conspiração online
tornaram-se parte integrante da cultura digital. Esses mitos modernos muitas
vezes surgem como uma forma de lidar com as complexidades e os desafios da era tecnológica.
Além disso, o avanço da ciência e da tecnológica houve novas
formas de mitos, enquanto muitos mitos antigos ainda persistem, adaptando-se ao
contexto atual. As redes sociais, indo além de análises rasas possíveis, são veículos
bastante poderosos para a disseminação de mitos contemporâneos, desde teorias
da conspiração (como acontece todas as horas) e até crenças populares sem
nenhum fundamento (como se toda a esquerda fosse comunista e a direita fosse
toda fascista). A fundamentação de uma crença sem nenhuma justificação de um
argumento logico, vem ao encontro de argumentações sem logica que muitos
acreditam por não ter conhecimento sobre esse tipo de assunto. Poderemos arriscar
um argumento bastante interessante que a grande parcela do brasileiro não sabe
o que é politica, assim acham que a politica é algo justificado em arrumar “o
portão da sua casa”.
Ora, chamar alguém de mito é chamar alguém de narrativa –
termo que bolsonaristas usam para se referir a uma postura ideológica de um
discurso dominante – onde há uma teoria que diz, ter uma narrativa onde o
sistema dominaria todo um discurso. Ou seja, Bolsonaro passou de um simples
deputado a um personagem mitológico e seus seguidores passaram a ser chamados
de “gado”. Por quê? Vamos dizer que a expressão “gado” – como se a esquerda não
tivesse a mesma atitude – que se refere a seguidores do Bolsonaro, aparece nas
redes sociais como uma forma de ironia a uma defesa incondicional do ex-presidente
por parte de quem o apoiava. A ideia central era apontar pessoas que
seguem ele de modo cego e sem nenhum questionamento, muito parecido com um
comportamento de manada que segue o líder do rebanho.
A ideia de “gado” tem a ver com o conceito de espírito de
rebanho, pois, se refere ao comportamento de indivíduos que seguem as ações e opiniões
de um grupo sem questionar ou ter algum senso crítico, muito parecido com um
comportamento de animais que seguem um líder de rebanho. No meio político – com
a polarização – a expressão é usada (de forma pejorativa) para mostrar os
seguidores que apoiam um tipo de líder ou uma ideologia de forma incondicional e
sem nenhuma reflexão crítica. E essa reflexão crítica que deveríamos nos apegar
em textos filosóficos. Mesmo porque, não existe uma questão que poderemos
limitar uma fronteira entre direita e esquerda que não banalize o debate.
Daí exige nesse momento uma pergunta muito interessante:
existe um bolsonarismo além de Bolsonaro? Alguns especialistas já dizem que sim
(principalmente, aqui em São Paulo) onde há uma migração dos votos de quem o clã
Bolsonaro apoia (Ricardo Nunes do MDB) para o Pablo Marçal (PRTB). Muitos desses
eleitores dizem que não vão votar no “comunista” – pois uma das características
do bolsonarismo é jogar toda a esquerda para o comunismo – só porque o Bolsonaro
está dizendo para votar nele. Parece que a nova direita (outro nome possível) bolsonarista,
tem uma consciência além do Bolsonaro e cria suas gêneses própria. Dai voltamos
a analogia do filosofo Luiz Felipe Pondé, onde escreveu um artigo colocando Lula
e Bolsonaro como o Predador e o Alien. Ou seja, como no filme, o Predador seria
o caçador que teria todas as armas para combater qualquer espécie conhecida, as
espécies que por traz dos caçadores, tem o poder de testar as armas segundo o
DNA de cada espécie. A esquerda brasileira tem essa característica dessa
esquerda predadora, tem armas que preparam conforme o inimigo.
A espécie do Alien são xenomorfos e tem uma vantagem com a
raça predadora, eles se convertem daquilo que parasitam. No filme tem a
capacidade de virar humanoides, ou até mesmo alguns que parasitaram a raça predadora,
se tornaram bem parecidos. Ou seja, tem sengue acido (que converte alimentos
mais facilmente), tem como parasitar ideologias inimigas (como varias características
do marxismo e do positivismo se vê no bolsonarismo) e pode eleger uma nova
rainha se aquela não segue esse padrão de proteção. Dai faço uma pergunta que
fiz em um trabalho meu que fiz para meu bacharelado: “HÁ UM ANARQUISMO
BOLSONARISTA REACIONÁRIO E MILITAR?”. Há um rompimento do status quo do próprio
bolsonarismo e o xenomorfos se transformaram em uma outra coisa?
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